Stuck On the Puzzle 29: Havana Affair.

N/A: Eu não quero que acabe :(




Acordei num pulo. Fora um tremendo susto, uma música bem alta e barulhenta atravessava a porta e as paredes de Ellie – que já estava em pé, atordoada – com força.

Puta merda!

“O que é isso?” berrei, tampando os ouvidos. Ellie fez sinal para que eu me calasse e pediu para que eu não saísse do quarto. Então, rapidamente, ela abriu a porta e saiu em direção ao quarto do irmão.

A porta estava entreaberta, o que deixou a música mais alta ainda. Fiquei parado, sem saber o que fazer, quando vi um vulto no corredor. Não perdi meu tempo e corri para baixo da cama, me escondendo da possível mãe de Ellie. Aquilo era ridículo. Eu era o vocalista do Arctic Monkeys, querido e amado por milhares de pessoas, e eu estava me escondendo debaixo da cama da namorada secreta do meu amigo. Como fui parar ali?

“Marine!” berrou uma voz feminina, praticamente respondendo à minha pergunta. Mas o som não vinha do quarto dela.

“Mãe!” disse Ellie, após finalmente conseguir desligar o aparelho de som. “Você não pode entrar lá. Marine está com uma febre terrível.”

Processei a informação. Marine ainda não estava em casa?

“Bom, deixe-me cuidar dela.”

“NÃO!” seu tom de voz aumentou e ela voltou a falar depois de cinco segundos de pausa. “Quer dizer... Está nojento. É sério. Ela me acordou hoje mais cedo e eu cuidei dela. Ela não quer que a perturbem hoje.”

“Mas eu preciso saber se ela vai melhorar até a hora de ir para o colégio.”

“É sério, mãe? Se preocupando mais com as notas de sua filha do que com a saúde dela?”

“Eu estou tentando, mas você não me deixa passar.”

Ellie já estava ficando sem desculpas e ninguém aparecia. Senti que precisava ajuda-la, por mais que um improviso fosse algo difícil, especialmente naquela hora.

Tirei minha blusa e o cinto da minha calça, deixando-a mais larga. Baguncei um pouco o meu cabelo e torci o meu cordão de ouro. Eu parecia um desajeitado depois de uma noite de muito, mas muito sexo.

Abri a porta num chute, fingindo que estava um pouco manco e tonto. “Ellie, que tal voltar para a cama?”

Tentei não rir com a expressão facial das duas. A mãe de Ellie obviamente queria explicações e Ellie me dava tapas mentalmente, me perguntando o que caralhos eu estava fazendo. Mas logo e felizmente ela entendeu o recado.

“Mãe, esse é o.... Louis.” Acenei, sorrindo de lado. Ellie queria se matar, isso transparecia de tal maneira que ela não conseguia falar direito. “Ele é meu namorado.”

“Finalmente, já estava na hora de você me apresentar à minha sogra, que por sinal é uma mulher muito doce e gentil.”

Bastou beijar a mão da mãe dela que a tapada já havia caído na história toda. Eu não queria ofendê-la, mas eu havia sido recém-acordado por um thrash metal infernal e não estava com cabeça para enrolação.

“É isso o que você vem escondendo durante todo esse tempo? Um rapaz doce e gentil?”

Ellie só não suspirou de alívio porque sabia se controlar perante a uma situação daquelas. Provavelmente não era a primeira vez, muito menos a última.

Ela deu de ombros e a mãe dela, que se chamava Laura, nos convidou para o café da manhã. A cozinha tinha janelas para a rua e aquilo fez com que eu sentisse uma pontada gelada na barriga e não duvido que Ellie também sentia o mesmo. A pontada piorou mais ainda quando, no meio da conversa, lembrei que aquele era meu último dia em Los Angeles na turnê.

“O que foi aquela música?” sussurrei para Ellie enquanto Laura tagarelava na pia.

“Você não vai acreditar, mas é o despertador do meu irmão. Ele foi dormir na casa de uma amiga e deve ter esquecido de tirar.”

“Amiga, sei.”

“Ellie é teimosa. Você nem imagina! Ainda bem que você apareceu para ela tomar jeito. Sabia que ainda quando minha outra filha chegou aqui ela voltava para casa bêbada?”

Concordei com a cabeça e tentei proteger Ellie sem ofendê-la o máximo possível. Então uma silhueta apareceu na rua, de braços cruzados.

“Falando em Marine, preciso conferir se ela está bem.”

“NÃO!” berrei, plantando um silêncio constrangedor.

“Como?” ela perguntou.

“É que... Ellie me mostrou. Está realmente nojento lá em cima.” Fiz uma careta. “Sabe, acho que você poderia me mostrar a saída. Eu preciso ir embora.”

Laura sorriu. “Sem problemas, Louis.”



Marine POV.


Me aproximei da janela ao lado da porta principal, acenando para Ellie. Ela fez sinal para que eu me escondesse e foi o que eu fiz. Em seguida, mamãe abriu a porta e voltou para dentro de casa. Não entendi o que havia acontecido, mas entrei de fininho.
“Puta merda!” quase gritei, ao ser puxada por Ellie para a cozinha.

“Você enlouqueceu?” como era possível alguém sussurrar e gritar ao mesmo tempo?

“O que Alex e mamãe estão fazendo juntos?”

“Eles estão tendo um caso”, disse sarcasticamente. “Fique aqui. Alex vai embora e eu vou tentar distrair ela. Enquanto isso, suba e não saia do seu quarto até parecer apresentável.”

“Certo.”

Ellie saiu dali e ficou parada perto da porta com um sorriso simpático e perfeitamente fingido e braços atrás das costas. Alex e mamãe desceram, conversando.

“Obrigado por tudo, dona Laura.”

“Eu é que agradeço! Sei que você vai ser um ótimo namorado para a minha menina.”

Arregalei os olhos, tentando escutar direito. Do que diabos eles estavam falando?

“Até a próxima.”

“Até a próxima, Louis!”

Louis? Ela o chamou de Louis? Certo, o que eu perdi?!

A porta se fechou e as duas ficaram em silêncio.

“Vergonha?” disse mamãe para Ellie. “Você tem vergonha de me apresentar à um rapaz como esse?” revirei os olhos.

“É coisa minha, mãe. À propósito, eu preciso te mostrar a sujeira que o André fez na sala.” Seu tom de voz aumentou, como sinal para que eu subisse.

Elas andaram até a sala e pé ante pé fui me aproximando da escada. Suas vozes já ficavam um pouco mais difícil de serem ouvidas, e então Ellie ligou a televisão no último volume.

“ELLIE! ABAIXE ISSO!”

“A PILHA DO CONTROLE ACABOU!”

“ENTÃO TIRE ESSA PORCARIA DA TOMADA!”

Eram só berros misturados com um som alto. Pobres vizinhos.

Quando finalmente cheguei ao meu quarto, tranquei a portinha e corri para a minha penteadeira. A primeira coisa que fiz foi tirar completamente a maquiagem, naquele momento desejei não ter fetiche por sombra preta e rímel.

Arrumei meu cabelo e prendi-o num rabo de cavalo comportado e guardei toda aquela roupa. Escondi qualquer coisa que pudesse deixar claro que eu não estava em casa ontem à noite e desci para a cozinha.

“Bom dia, mãe.” Tentei soar o mais natural possível.

“Oh, bom dia, querida.” Ela beijou minha testa. “Dormiu bem? Ellie disse que está com febre.”

“Eu ainda ‘tô um pôco mal.”

“Vá comer alguma coisa. Acha que dá para ir para a escola?”

“Claro.” Respondi, tentando não sorrir ao lembrar do quão bom foi aquele show.


Ellie POV.

A campainha tocou alguns minutos antes de Marine terminar sua torrada se preparar para sair.

“Eu atendo!” pulei da cadeira, correndo em direção à porta. “Cara, já era a hora! Achei que você não vinha.”

“Desculpa! É que a carona atrasou.”

“Ellie, quem está aí?”

“Uma amiga, mãe!” gritei de volta.

Marine passou por nós duas e se despediu, sem tirar os olhos do telefone.

“Sua irmã?”

“Meia-irmã. Mas nos consideramos irmãs de sangue.”

“Ah, sim. Ela parece ser legal.”

“Ela é louca”, ri. “Quer entrar para tomar alguma coisa?”

“Eu aceito uma torrada, já que estou sentindo o cheiro” ela disse, já entrando na casa. “E precisamos ser rápidas, senão não conseguimos os ingressos.”

“É claro.”

Andamos até a cozinha. Parei para pensar nas milhões de coisas que haviam acontecido ali só naquela manhã e comecei a rir.

“Qual é a graça?” perguntou mamãe.

“Não é nada.”

“Sei. Não vai dizer quem é sua amiga?”

“Ah, sim.” Me recompus. “Mãe, essa é a Havana. Sei que você não gosta de ouvir isso, mas é ela quem me carrega quando estou bêbada.”

“Muito prazer, dona...”

“Laura.” Mamãe sorriu, cumprimentando-a. “E desde que você continue ajudando essa peste, você será sempre bem-vinda por aqui, Havana.”


“Eu espero.” Ela disse, fazendo todas nós rirmos.


***

N/A: Ai ai Dona Laura, você nem imagina metade das coisas que acontecem nessa casa...
Enfim, a boa notícia é que agora eu tenho fotos da nossa querida Ellie.

 
 

Ela não é linda, gente?  Enfim, eu sei que eu demorei e tals, mas eu não quero que o final chegue e eu sei que vocês também não. Além do mais, quero que seja perfeito.
Beijos 

5 comentários:

  1. Cara, pensei q vc tinha parado de escrever e já tava ficando triste pensando q minha fic favorita tinha terminado. Alex fingindo ser o namorado de Ellie hahaha até q funcionou, só quero ver oq Jamie vai achar disso se descobrir. Mds, quando Marine vai admitir q gosta de Alex?!! Cada vez q vc fala sobre o fim eu fico mais ansiosa e um pouquinho triste 😭. Demorou mas valeu a pena, ótimo capítulo! Bjssss❤️❤️

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    1. não parei não! você vai saber quando for o fim, e infelizmente ele está próximo :((
      já atualizei, viu? beijão <3

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  2. Não sei quantas vezes eu entrei no site pra checar se já tinha saído um capítulo novo. Hoje tinha x3
    Muito bom o cap, fico com pena da dona Laura, realmente tem muita coisa que ela nem desconfia rsrs Muito bom o Alex - ou Louis haha - fingindo ser o namorado da Ellie, e melhor ainda é o quanto a Marine deve ter ficado confusa xD
    E no final? Pelo título eu já tava esperando 'o retorno de Havana', mas não imaginei que ela e a Ellie eram amigas. Fico imaginando o que teria acontecido se ela tivesse chegado um pouco mais cedo, quando o Alex estava saindo. Será que ele lembra dela? - ele não tava exatamente disposto quando eles tiveram aquela conversa, afinal de contas.
    Mas é isso, quanto mais tempo passa, maior tá a expectativa. quando será que as partes 'calientes' chegarão? Por favor, não diz que você vai deixar pro ultimo capituloooooo. Não faz isso :'| Mas mesmo que você faça isso eu vou amar de qualquer jeito - só vai doer um pouco mais.
    Mas é isso, bjs, e até o próximo!
    Ana

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    1. elas vão chegar, e não vai ser no último capítulo, prometo. SAUSHSH
      já postei, ana. beijão <3

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