(D)evil Twin 02: Johanna.

N/A: Deem olá para a gêmea do mal.



— Cara, até que eu gostei desse apartamento. — disse Jamie, enquanto eu arrumava as golas da minha camisa. — Vista legal, as escadinhas de incêndio que a gente vê nos filmes... A sorte é que a sua namorada mora logo aqui embaixo, não é, Alex?

Concordei com um riso. Eram oito e meia da noite, o jantar era às nove e eu já terminava de me arrumar. Enquanto isso, os caras assistiam Fight Club na maior folga.

O apartamento era em algum lugar do SoHo, em Manhattan. Arielle era Nova-Iorquina, nascida e criada naquele mesmo ambiente. Alguns detestavam New York. Outros amavam. Arielle estava incluída nesses outros. Eu também já estava começando a gostar, não só por finalmente comprar um apartamento com meus melhores amigos em um bairro extremamente agradável, mas também porque finalmente poderíamos tomar um rumo na nossa vida musical. Eu sentia que lá, apesar das circunstâncias, era um lugar que poderia nos dar uma chance.

— Mangas longas ou dobradas? — perguntei para os três, indeciso. Matt andou até mim sem paciência.
— Que tal assim? — disse, logo depois de puxar as mangas da minha camisa social branca para o pulso e dobrá-las uma única vez, empurrando-as para o cotovelo.
— Eu ando assim o tempo todo. Esse é um jantar de família, não quero que pensem que sou um filho da puta.
— Impossível! — Matt gargalhou. — Isso já está literalmente na sua cara. Eu aposto meus rins que todas as mulheres que te veem na rua só não pensam outra coisa de você porque não sabem que você é comprometido.
— Vá se foder. — ergui o dedo médio em direção a ele.

O negócio era que Matt tinha razão, eu ficava melhor daquele jeito. Para completar, desabotoei dois ou três botões da camisa, deixando meu peito parcialmente exposto. Vesti minha jaqueta de couro preferida, borrifei um perfume da Calvin Klein e em seguida arrumei meu topete, bagunçando-o um pouco.

Olhei-me no espelho. Nada mal.

— Que tal? — eu disse, aparecendo novamente no quarto escuro onde os três sedentários estavam. Nick fingiu ser uma fã alucinada e todos riram. — É sério, como eu estou?
— Se eu fosse gay... Ah, deixa pra lá. — disse Jamie. Matt riu com o comentário.
— Sem querer falar viadagem, mas hoje você vai transar.
Olhei para o teto, tentando conter o riso. — Eu esperava um “você está ótimo, cara” ou um “você é meu ídolo”, mas tudo bem, vocês todos são esquisitos.
— Como se você não fosse um completo mala há três anos atrás.
— Ei!
— Vocês... — Nick tentou falar, mas não conseguia parar de rir. — Vocês se lembram... Eu não consigo!
— Com licença, eu tenho um jantar para ir e não vou perder meu tempo.
Ouch, tá nervosinha. Agora a porra ficou séria. — disse Jamie, provocando mais gargalhadas.
— Há-há-há, muito engraçado, mas pelo menos eu tenho uma transa hoje, Jameh, e você?
— UUUUUUH! — disseram os outros dois, em uníssono.

Olhei para o relógio e por fim me despedi.

Um namorado normal buscaria a namorada em um carro foda para deixar a vizinhança boquiaberta, mas no meu caso era só descer um andar.

Descer um andar, descer um andar... Como não pude pensar nisso antes?!

— Alex, você é um idiota. — murmurei para mim mesmo, entrando de volta no apartamento.
— Esqueceu alguma coisa? — perguntou Nick.
— Esqueci a minha dignidade. Adeus. — eu disse, saindo pela janela.

Eu estava ansioso para ver Arielle. Eu não conseguia ficar longe dela. A amava demais para isso.

Desci as escadas de incêndio cautelosamente. Ao chegar no andar de baixo, pude ter a visão do quarto de Arielle. Bonito e simples assim como ela. Então, do nada, ela apareceu, sem perceber minha presença.

Antes de bater de leve no vidro da janela, admirei-a. Seu vestido era preto e florido na saia, seus lábios vermelhos me deixaram enlouquecido e ela provavelmente estaria exatamente da minha altura com aquelas botas pretas de salto-alto.

— Alex! O que você está fazendo? — ela sorriu, abrindo a janela. Sem deixar que ela pudesse dizer mais uma palavra, agarrei-a pela cintura e a beijei como se o mundo fosse acabar amanhã.
— Você está linda.
— Ah, para.
— Você é a representação da perfeição em forma humana. — disse, entre mais beijos. — Eu estou cada dia mais apaixonado por você.
— Será que podemos ir logo? — colocou as mãos na cintura.
— Como quiser.

Ela abriu a porta do quarto. Examinei seu apartamento. Ela morava com a família, mas eu nunca havia visto nenhum de seus familiares porque, pelo menos até o dia de hoje, ela gostava de guardar segredo. Era como uma adolescente, escondendo o namorado dos pais. Simplesmente adorável.

— Eu dirijo. — falei, à medida que nos aproximávamos de seu Prius.

Eu tinha um carro. O problema é que ele havia ficado em Sheffield, minha cidade natal. Mas isso não era problema, pois eu vinha juntando dinheiro desde que a ideia de morar em New York me veio à cabeça. E dessa vez, seria um Cadillac vermelho. Ou talvez uma moto. Quem sabe uma Harley-Davidson?

— É aqui perto. — ela disse, olhando pela janela. Parecia tensa.

Acariciei seu ombro, olhando para ela. Assim que recebi um olhar de volta, sorri e beijei sua testa.

— Qual é, eles não podem ser tão ruins assim.
Permaneceu quieta até que estivéssemos prestes a parar em um sinal vermelho.
— É, eu espero que hoje não. — murmurou.



(...)



Arielle me puxou pela mão. Eu adorava sentir o toque de sua mão leve e delicada assim como a mulher que ela era.

Havíamos acabado de chegar em um restaurante de rua que era simples, porém de alguma forma familiar. O lugar estava lotado, e só de olhar para aquela população andando para lá e para cá meus olhos brilhavam. Não que eu gostasse de superlotação, mas eu e minha banda havíamos nos mudado para NY com a esperança de que ficássemos mais famosos, de que conseguíssemos um contrato com uma gravadora e não ser mais a bandinha de garagem que recebe reclamações de todos os vizinhos por causa do barulho. Mas a cidade era cheia, cheia de moradores e turistas. Aquilo fazia sentir-me bem e mal porque as chances de conseguir um público maior aumentava, até mesmo as de sermos descobertos por um empresário. Porém, tinha também a concorrência. Seria pura sorte se conseguíssemos qualquer coisa.

Arielle finalmente me apresentaria à sua família, depois de tanto tempo. Ela dizia que era melhor deixar para lá, mas era exagero. Provavelmente não passava de uma família comum e normal, poderia ser até uma família perfeita e unida demais. Eu já imaginava: um pai trabalhador, uma mãe dona de casa que sempre fala sobre a novela das cinco, e dois irmãos pequenos e bagunceiros, mas que trazem a alegria para a casa. Em outras palavras, deveriam ser uma versão pequena de Arielle. Mas quando chegamos lá, minhas expectativas simplesmente afundaram. Para começar, o pai dela não estava ali.

— Alex, essa é a família. — ela estendeu a mão para a mesa onde haviam apenas duas pessoas sentadas.
— Hã... Olá. — acenei.
— Minha mãe, DeEtte — a senhora sorriu simpática para mim —, meu irmão mais novo Jonah e..... Cadê a Johanna?
— Ela foi comprar hambúrguer! — gritou o mais novo.
— Jonah, fique quieto. — a mãe de Arielle ordenou.

Jonah era um garotinho baixinho e louro de franja, não deveria passar dos cinco anos de idade. Pelo jeito, Arielle gostava muito dele.

— Que tal sentar, Alex? — sugeriu DeEtte. — Antes de qualquer coisa, seja muito bem-vindo. Eu estava realmente ansiosa para te conhecer.
— E eu devo dizer que estava ansioso para conhecer minha outra família, que por sinal parece ser bem melhor do que a outra.
A mãe de Arielle riu, mas só então percebi que extrapolei no elogio.
— Na verdade, só estou brincando. Minha família não é tão ruim assim. Meu pai é bem severo, mas nos damos bem. Só quis agradar a vocês.
— É um verdadeiro cavalheiro. — disse DeEtte. — Arielle, por que você não o apresentou antes?
Arielle deu de ombros. — Você sabe que sou tímida para essas coisas.

Ela era tão linda. Deus, como ela era linda.

Conversamos mais um pouco. O assunto foi de família para a minha banda.

— E então viemos para cá, pretendemos conseguir mais fama. Na verdade, já conseguimos lotar alguns lugares quando passamos as férias aqui.
— Então você tem uma banda de verdade? — disse Jonah.
— É, garotão, eu tenho. — sorri.
— Você tem uma banda? Que legal. — disse uma voz feminina ao meu lado. — Mas isso não te dá o direito de sentar no meu lugar.
— Johanna!

Olhei para cima. Ao meu lado, encontrava-se uma castanha que não parecia nem um pouco feliz com a minha presença.

Sem saber o que fazer, me levantei imediatamente e me desculpei. Logo em seguida, sentei-me ao lado de Arielle, que já estava com uma cara de ‘eu-sabia-que-isso-ia-dar-merda’. Ela poderia ter sido um pouco mais educada, talvez?

— Quem é essa? — sussurrei para Arielle, enquanto a menina discutia com a mãe.
— É a minha irmã.... Gêmea. — respirou fundo. — O nome dela é Johanna, mas eu acho que isso você já sabe.

Já a irmã gêmea dela, por outro lado, deveria ser só de nascença mesmo. A garota tinha cabelos castanhos, escuros e rebeldes, não ruivos e enrolados como os de Arielle. Ela vestia uma regata cinza com o rosto de Jim Morrison em sua foto clássica estampado e usava muitos colares. Além disso, terminava um cigarro e, pelo seu olhar, eu poderia jurar que em três minutos eu iria morrer.
Jonah encolheu os ombros, ficando quieto. O que aquela garota tinha?

— Educação. É só isso o que eu peço de você. Mas você insiste em ser desse jeito!
— E daí? Eu nem queria estar aqui mesmo! Você sabe muito bem o quanto eu implorei para não vir nesse jantar estúpido, porque eu não faço a menor diferença nesse evento idiota.
— Você faz toda a diferença, inclusive agora mesmo, assustando o pobre Alex.
— Alex é o caralho! — seu tom de voz aumentou.
— Com licença, Johanna? — disse Arielle, nervosa.
— Eu estou bem aqui. — eu disse, sério.

Johanna olhou para mim. Seu olhar só pôde me fazer tirar duas conclusões: (1) Aquela garota iria me matar enquanto eu estivesse dormindo; (2) As mais bonitas sempre têm algum tipo de problema.

— Eu não acredito que perdi um ensaio e um show do Bishop Allen no Brooklyn pra isso.

A discussão já chamava a atenção de algumas pessoas que passavam por ali. E então, me arrependi profundamente por ter tocado no assunto “família” quando conversava com minha namorada.

— Será que podemos tentar de novo, Johanna? Para o bem da nossa família?
Ela revirou os olhos e andou até mim com um sorriso falso.
— Olá, Alex. Meu nome é Johanna. — ela apertou minha mão e me deu um beijo na bochecha. — É um prazer te conhecer.


E então, voltou para o seu lugar, me deixando confuso e sem entender nada enquanto Arielle limpava a marca de batom que aquela garota havia deixado em mim.


***

N/A: I've been ruined by the things I've seen
You've got the rhythm but it won't hold me
I'm not amazed but I'm on my knees
And I feel

Cara, na hora que eu ouvi essa música eu pensei "PORRA!" eu ia explodir se eu não fizesse algo com ela sjdhfdsjsdjnf
Enfim, galera. O prédio onde geral mora é exatamente isso aqui. Sempre sonhei em morar num lugar desses 
Essa é a Arielle no jantar, e essa é a Johanna. Já o Alex, bom, fantasiem.

3 comentários:

  1. Amei a fic :) Primeiro,porque achei o relacionamento dos dois bem fofinho.
    Segundo porque fiquei curiosa sobre o que essa gêmea má vai aprontar!
    Bjs

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  2. E a parte dos Monkeys zoando o Alex kkkkk

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