“O que você quer fazer?”
perguntou Alex.
“Sei lá. Não deve ter muita
coisa para fazer aqui.”
“Ah, tem sim. Muita coisa” disse, soprando a fumaça na
minha cara.
Revirei os olhos e andei à
sua frente. Já havíamos chegado à uma pequena vila comercial daquela cidade,
que era completamente iluminada. Olhei para os lados, encontrando tudo o que eu
já previa: sorveterias, restaurantes, lojinhas de conveniência e algumas de
lembrancinhas. Parecia mais uma enorme praça cercada pelo comércio, pelo fato
de ter um coreto ali no meio, além de banquinhos e postes de luz espalhados por
ali.
Chutei uma pedra. Que tédio.
“Pensei que quisesse
caminhar comigo” chantageou.
“Se você esperava que nós
saíssemos de mãos dadas, você se enganou bonito.”
“Na verdade, eu esperava
mais que isso...”
Mordi o lábio, me virando
para ele. O paspalho ria baixinho.
“Pareço uma vadia?”
“Não” negou, colocando seu
braço sobre meu ombro. “Toda diferente, desse jeito, você parece... Sei lá,
você.”
Eu não vou mentir: aquilo me
fez derreter completamente. Mas ainda assim, manti a pose e empurrei seu braço.
Ambos tentamos não sorrir.
Não gostava de sorrir para ninguém, ainda mais para ele.
Não quero odiá-lo. Eu, por
incrível que pareça, acredito na existência de um cara legal por baixo daquela
aparência estranha. Contudo, seu comportamento torna isso impossível.
Alex desiste de qualquer
contato físico e continua caminhando ao meu lado. Não andávamos para um lugar
em particular, apenas... andávamos.
“Que bosta, não tem nada pra
fazer” reclamo, me sentindo num shopping center que já andei por duas horas.
“Que má vontade é essa, meu
Deus” disse, sentando-se num banco. Ao lado dele, sentava-se uma senhora, que
ao olhar bem para ele levantou e foi embora. Não pude evitar de rir. “Eu, hein.
Depois eu sou o esquisito.”
“Vestido dessa maneira...”
falei, encarando-o dos pés à cabeça. Ele usava um sobretudo preto por cima de
uma blusa branca com um desenho estampado e calças jeans escuras.
“Completamente normal. Essa
aí não deve sair de casa desde mil novecentos e trinta e cinco” resmungou.
Soltei um riso sem querer e
Alex voltou seu olhar para mim imediatamente. Ele tragou o cigarro tão
rapidamente que jurei que iria acabar com aquela coisa de uma vez só.
Eu queria que aquilo parasse
imediatamente.
“Eu ‘tô com fome.” Tento
quebrar o gelo.
“Você não diz o que quer
comer.”
“Sei lá. Alguma sugestão?”
Alex se apoiou no banco com
o braço direito e olhou para trás.
“Quer ir tomar um sorvete?”
“Por mim, tudo bem.”
Ele se levantou e colocou
seu cotovelo à minha frente.
“O que é isso?”
“Só estou tentando ser
cavalheiro!” exclama, deixando seu braço cair de desanimação. “Ou isso é demais
para você também?”
Alex olhou em direção à
sorveteria, ajeitando os óculos escuros. Ficamos parados e quietos ali por uns
segundos, afinal, eu não sabia o que fazer.
Respirei fundo e enfiei
minha mão no espaço entre seu corpo e seu braço. Ele olhou para mim, surpreso.
“Não diga nada” eu disse,
forçando-o a andar. “Então... Qual sabor você vai pedir?”
“Limão.” Engulo em seco, ao
perceber que ele cita o meu preferido.
(...)
“Dois de limão, por favor”
pediu Alex, apoiando-se na vitrine de vidro. “Não sabia que você também
gostava.”
“Bom, para falar a verdade,
é o que eu mais gosto.”
“O meu preferido é o de
creme. Logo depois vem o limão.” Sorri, simpático.
“Creme é uma merda!” ele
olhou para mim com os olhos arregalados. “Possivelmente o sorvete mais
sem-graça que já provei em toda a minha vida.”
“Marine, estamos no meio de
um estabelecimento...”
“Foda-se!”
Alex riu, balançando a
cabeça. “Foda-se.”
Os sorvetes chegaram e Alex
carregou os dois até a bancada onde nós dois sentamos, bem na ponta.
O clima dali era normal, vez
ou outra um ventinho incomodava. Por sorte, eu estava de jaqueta. Fora isso, o
joelho de Alex encostava no meu. Detalhe inútil, porque isso acontece com
qualquer pessoa.
Mas ele não era qualquer um.
“Então” disse, depois de duas
colheradas de sorvete. “Diga, menina, por que eu nunca te vi antes?”
“Ué, minha irmã nunca falou
de mim, então?”
“Não me lembro muito bem.”
“É, não importa. Me mudei
para cá fazem poucos meses.”
“Interessante. Logo, logo
irá adquirir um sotaque californiano, você vai ver.”
“Talvez.” Sorri de lado. “E
qual é a história do seu?”
“South Yorkshire, darling” disse, pronunciando o ‘darling’
lentamente. “Sou de Sheffield, sabe onde fica?”
“Pelo sotaque, Inglaterra,
óbvio.”
“Não é tão difícil assim”
sua mão se abaixou e pousou na minha coxa. “O que é difícil para você?”
Alex começou a acariciar a
região de leve. Sua mão era fria e.... Enorme.
Por que diabos estou pensando nisso?!
Ignorei-o enquanto terminava
o sorvete. Que pena, pensei que ele tinha terminado com as tentativas de me
tocar. Só comecei a me importar quando parei para pensar que aquilo poderia
resultar em outra coisa.
“Algo difícil para mim...
Vejamos... Ah, já sei. Ver a sua mão onde ela deve ficar!” meio que brinquei,
puxando-a pelos dedos até voltar para o balcão.
“Se demorou um pouco mais
para me impedir, quer dizer que está gostando” ele disse, mostrando aquele
sorriso carregado de malícia. “Isso é bom sinal.”
Olhei para ele com uma cara
de quem dizia ‘cala-a-boca-ou-eu-corto-seu-fígado-fora-e-como-no-pão’. Enfim,
cretino é cretino e ele acabou rindo também.
“Muito engraçado.”
“Ora, vamos, vai me dizer
que não aguenta uma provocaçãozinha?” disse, convencido.
“Tenho cara de idiota?”
Alex apoiou-se com o
cotovelo e olhou para mim com um sorriso que desta vez parecia ser sincero,
quem sabe até um pouco tímido.
“Durona, astuta, sensual....
Mas não idiota.”
***
N/A: Se não bater preguiça, o próximo capítulo será esse porém no ponto de vista do Alex, adicionado de mais algumas coisas. Mas não pensem que é porque eu to boazinha e feliz que vou deixar passar. FANTASMAS, APAREÇAM! Ou então sumam daqui. Quem comenta não precisava ter lido isso e se ficou ofendida (mesmo não tendo razão para isso) me desculpe, não foi minha intenção. Eu ainda recebo muita visualização pra uma quantidade tão pequena de reviews.
Desculpem o "reviews", eu tô acostumada com o nyah.
É.
Vou calar a boca.
Tchau.
Comentem, sim? Sim.
Tchau (agora é sério).
esses dois são os melhores, esse capítulo foi lindo, Marine ta se apaixonando será? hahahahaha espero q sim perfeitos
ResponderExcluirrealmente, eles são ♥ eia, eia, vamos com calma né? Apesar de ser mais nova, ela não é que nem o Alex T.T
ExcluirMas fica tranquila, tem muito pra acontecer entre eles.
Obrigada meu amor ♥
Melhor fanfic do mundo! Tô cada vez ms apaixonada.
ResponderExcluirSó não pulo de alegria porque são três da manhã e tá todo mundo dormindo aqui. SAUHUASHUASHASUHUASH
ExcluirMuito obrigada pelo comentário maravilhoso querida. ♥
Finalmente, progresso!
ResponderExcluirPela primeira vez parece que eles tem uma conversa mais longa sem o Alex estar tão bêbado que não consegue nem andar direito.
E ela até que gostou, ein?
hehehe
bjs, Ana
p.s.: nao li ontem pq eram quase 4 da manhã :S
realmente, nervosismo é foda ASHASUHUAUHSUHS
ExcluirBem, vai saber... Ela não detestou de maneira alguma, isso eu te asseguro.
Não tem problema nenhum ana, obrigada por ler e comentar. <3
hahaha morro com os seus esporros no final :P
ResponderExcluirAlex parece um adolescente de 15 anos com a primeira paquera hahaha adorei!
NEXT ATT urgente!