R U Mine 11: What the Fuck?!


Naquela noite tive de aturar o maior sermão de toda a minha vida, daqueles que nem mesmo meu pai jamais me deu. Daniel gritava muito, transtornado repetindo a todo o momento o quanto eu era irresponsável enquanto Catarina o apoiava listando todas as tragédias que poderiam ter acontecido comigo, em todas elas eu terminava morta ou estuprada das mais variadas maneiras. Enfim, coisas de Catarina.
Ouvi tudo calada até por que no estado em que ambos se encontravam tentar algum tipo de contra argumentação seria total perda de tempo e eu não estava a fim de prolongar aquela “conversa” que, aliás, já estava longa demais.
No final nem mesmo esse “pequeno” conflito foi capaz de deixar minha noite menos perfeita, eu estava leve por dentro e comprovadamente apaixonada por Alex.
Apaixonada? Porra...
[...]
Após ir a escola e passar o restante da tarde de sexta feira limpando e organizando o sebo chego em casa por volta das 17:30 moída de cansaço como diria minha vó. Largo a mochila num canto perto da porta indo direto para a cozinha procurar algo que fizesse os barulhos estranhos em meu estômago pararem. Solto um muxoxo ao perceber que não tem nada pronto na geladeira, pra falar a verdade estamos sobrevivendo à base de hambúrguer, pizza e comida chinesa há pelo menos duas semanas e não tenho previsão de quando esse quadro irá se reverter, estamos muito bem assim enquanto nossa dieta não afeta drasticamente nos números da balança. Revisto todos os armários e para meu alívio acho um ultimo pacote de batatas, abro novamente a geladeira para pegar uma lata de refrigerante e com meu lanchinho super saudável em mãos vou até o sofá deixando o par de tênis infernal no meio do caminho.
Ligo a tv e encontro um filme que realmente consegue prender a minha atenção por mais de 30 minutos, no geral os filmes seguem uma formula para o sucesso que me permite adivinhar o final antes que chegue na metade. Um saco!
A campainha toca em um ponto crucial da trama, desviando minha atenção do filme que realmente era muito bom. Resolvo ignorar num primeiro momento, mas devido à insistência da pessoa me levanto bruscamente soltando alguns palavrões no meio do caminho. Ao abrir a porta dou de cara com Dona Abigail, a senhora aposentada do prédio com sua típica  saia florida que parece dividi-la ao meio e o inseparável gato nos braços.
Tento não encará-lo muito, tenho medo dele  me olhando com aqueles olhos amarelos de felino, como se maquilasse um plano para me matar.
__ Pois não? – tento parecer simpática. Não que ela mereça
__ Nossa você demorou para abrir. Santo Cristo – a velha reclama e estende a mão em minha direção entregando a correspondência. Ela não é responsável por esse serviço, mas na falta do que fazer passa as tardes em frente ao prédio esperando pelo carteiro para logo em seguida entrega-las de porta em porta, aproveitando para bisbilhotar um pouco. É claro – Tem mais alguém aí com você? – pergunta olhando por cima de meus ombros tentando ter uma visão melhor do apartamento.
__ Não – respondo rispidamente me ajeitando em sua frente a fim de atrapalhar a bisbilhotagem e checo a correspondência em minhas mãos. Contas, contas e mais contas como sempre. O que realmente me chama a atenção é um envelope amarelo destinado a mim. Estranhei é claro, eu nunca recebo cartas, pois até mesmo a minha mãe é adepta do Skype. Muito mais rápido e prático.
Resolvo deixar o envelope de lado ao perceber que Dona Abigail parece mais interessada do que eu mesma para saber o que tem dentro.
__ Fui jogar o lixo pra fora ontem a noite e vi a mocinha chegando de carro. Fique sabendo que eu vi tudo e que aquela não é uma atitude de uma moça decent... – bato a porta na cara dela, indignada com tamanha cara de pau.
__ Preciso arrumar um namorado pra essa velha, quem sabe assim ela me deixa em paz!
Volto correndo para o filme deixando os envelopes no chão da sala, Dona Abigail já havia tomado muito o meu tempo.

Catarina chega por volta das 19h empolgadíssima com o programa de hoje à noite. Daniel e sua banda fariam sua primeira apresentação profissional em um bar no centro de San Diego. Por isso mesmo cheia de preguiça, me arrasto para o banheiro e em tempos em que se fala tanto de sustentabilidade me permito ficar em baixo d’agua por alguns minutos, sem fazer nada, apenas sentindo o corpo relaxar a medida que entrava em contato com a água quente enquanto cantarolava “Wonderwall” do Oasis o mais alto possível.

Saio do banho com a energia revigorada. Não filosofo muito a respeito de qual roupa usar, apenas calça preta, camisa jeans e all star vermelho, uma maquiagem um pouco mais pesada que o costume, uma trança embutida nos cabelos ainda molhados e voilá.
__ Fiu fiu – Catarina brinca quando eu chego pronta em seu quarto, ela ainda está se maquiando.
__ Você que está linda – murmuro ao vê-la com um vestido preto curto e soltinho, e um salto enorme nos pés. Como sempre toda poderosa, como uma estrela de cinema. Catarina não é tipo de pessoa para se estar perto quando sua auto estima está a nível do mar.
__ Obrigada – consigo vê-la sorrindo pelo espelho e me aproximo para mexer nos inúmeros frascos de perfume em sua penteadeira.
__ O que é isso em você? – Grita de repente e eu não entendo o que ela quer dizer num primeiro momento. Só depois percebo seu olhar direto em meu pescoço e uma risada irritantemente estrondosa. Me aproximo do espelho a fim de ver o estrago de perto.
Aí Caralho
Tenho certeza que estou mais vermelha que um tomate e a gargalhada de Catarina não ajuda muito pra falar a verdade. Como eu não havia visto o enorme chupão que Alex havia deixado em meu pescoço?
__ Eu exijo que você me conte tudinho agora mesmo – gritou ao se virar para mim, me ameaçando com um pincel de blush.
__ Foi um cara aí... – respondo vagamente pegando o frasco de corretivo, louca pra pelo menos diminuir o chupão em meu pescoço.
__ Olha, corretivo nenhum vai esconder isso aí querida – murmura despreocupada. Voltando suas atenções à elaborado olho preto esfumaçado.
Eu ainda te mato Turner
Após esforços em vão para disfarçar o roxo em meu pescoço, a alternativa encontrada foi usar um lenço preto enrolado nele. Olhando pelo lado positivo, se é que existe um, o acessório ajudou a incrementar o look deixando-o mais sofisticado, no entanto tive de aturar as piadinhas e risadas da minha amiga durante todo o caminha até o bar.
Demoramos mais que o necessário até o centro devido as interdições feitas em algumas ruas da cidade por conta do Festival de verão que aconteceria nos dois dias seguintes. Tentei não fazer associações em minha cabeça e foquei totalmente em minha diversão. Nada de Alex Turner essa noite.

Entramos pela porta dos fundos evitando a fila quilométrica que se formava em frente ao local. O bar era uma mistura de Dancing Days e hard rock café com a atmosfera predominantemente rock’n roll, mas cheio de apetrechos coloridos e típicos dos anos 80, em especial uma maquina de dança que eu simplesmente amei muito. O palco não era muito grande, mas tinha espaço o suficiente para todos os instrumentos da banda.
Nos acomodamos em uma mesinha bem perto dele para dar todo o apoio moral ao nosso amigo. Pedimos nossas bebidas e conversamos sobre tudo até que ele veio falar conosco.
__ Ainda bem que estão aqui – disse se sentando na cadeira que sobrava ao meu lado aproveitando para roubar toda a minha bebida.
__ Ei! Eu paguei por ela sabia?
__ Estou nervoso – murmura com um sorriso amarelo nos lábios e eu me desmonto sorrindo de volta
__ Você vai arrasar. Tenho certeza disso – digo ao pegar em sua mão em sinal de apoio.
__ Ela está certa, vocês esperaram muito por essa oportunidade entende? Está muito mais que preparado
__ Obrigado meninas – sorri com seus olhos azuis brilhando em sinceridade e agradecimento.
__ Que isso, vem, bebe um pouco pra relaxar – lhe ofereço meu vinho – Eu vou até o bar pegar mais.
__ Obrigado – murmura tomando todo o líquido em um gole só.


Me levanto e vou em direção ao bar que estava terrivelmente cheio, a espera é longa até eu ser atendida.
__ Qual o sabor de batida que vocês têm aqui? – pergunto me escorando junto ao balcão.
__Do que desejar docinho – o atendente careca, tatuado e um sorriso horrível com os dentes revestidos a ouro se curva e joga seu hálito horrendo de nicotina em cima de mim. Faço minha melhor cara de nojo e desprezo, aquele homem tinha idade suficiente pra ser meu pai.
__ Ela prefere cerveja. Não é mesmo docinho? – rolo os olhos ao ouvir a voz em puro sarcasmo e um sorriso brota em meus lábios.
__ O que você está fazendo aqui? – me viro para encará-lo. Alex estava apoiado no balcão pelos cotovelos com a sobrancelha arqueada como se minha pergunta tivesse a resposta mais obvia do mundo.
__ Pedindo uma bebida, aliás, você não devia pedir batida.
Franzo o cenho esperando pela explicação
__ Bebida de gente fresca – murmura dando os ombros e um gole na cerveja em suas mãos.
__ Obrigada pelo conselho, acredite foi bem útil – murmuro me virando novamente para o atendente – Uma batida de Maracujá, por favor – peço ao balconista que mais uma vez sorri.
__ É pra já – me direciona uma piscadela tosca antes de ir buscar minha bebida.
__ É realmente você está com tudo hein... O cara com pinta de presidiário está na sua.
__ HAHA, muito engraçado Turner – respondo ao me virar, apoiando os cotovelos no balcão, assim como ele. Direciono o olhar para minha mesa, Daniel e Catarina bebem e conversam animadamente.
__ Foi a intenção – murmurou sorrindo dissimuladamente – Docinho... – o encarei, tentando parecer séria. Tenho certeza que ele não me deixará esquecer isso tão cedo.

Rapidamente a batida está em minha frente e eu dou um primeiro gole, achando aquilo realmente muito bom, doce e forte. Muito melhor que as cervejas amargas que tive de tomar com Alex na noite passada.
__ Bonito lenço – murmura divertido, o típico sorriso canalha e sarcástico decora seu rosto – Tentador na verdade.
__ Tentador? – pergunto arqueando a sobrancelha e com um sorriso de satisfação nos lábios.
__ Sim. Ver seu pescoço coberto me faz querer chupá-lo novamente – sorri – Você quer Clara? – ele gira em 180 graus, ficando ao meu lado. Seus lábios bem próximos ao meu ouvido e um súbito arrepio percorre minha espinha – É claro que quer... Lembra de como você gemeu pra mim enquanto eu marcava seu lindo pescocinho? - O hálito quente de Alex batia em meu pescoço, piorando a situação.
Engoli em seco diante da provocação e bebi um enorme gole da batida em minhas mãos tentando não surtar. Ele ri, seu hálito novamente ricocheteia em meu pescoço e volta a sua posição inicial, tomando mais um gole de sua cerveja. Como se tivesse alcançado seu objetivo.
Me recomponho rapidamente dos efeitos dele sobre mim e uma súbita raiva me invade. Quem ele pensa que eu sou?
__ Você é um imbecil, não devia ter feito isso em mim, sabe o trabalho que dá pra esconder um chupão desses?- murmuro me forçando ao máximo para encará-lo sem corar ou parecer uma idiota – Eu não sou dessas vadias que você pega por aí Alex Turner
Não responde nada, e isso me deixa ainda mais putada vida, apenas vira toda a garrafa de cerveja na boca, esvaziando-a para logo depois deixa-la em cima do balcão.
Pego minha bebida totalmente irritada e rumo para a mesa, longe de Alex e de suas provocações.

[...]

As luzes do pequeno palco diminuíram e os integrantes da banda entraram. Eu os conhecia de um “Oi” ou outro nos corredores do colégio, mas não eram o que se podia chamar de amigos.
As musicas realmente eram muito boas para uma banda iniciante com arranjos interessantes e musicas em sua grande parte agitadas. Sorri de satisfação ao ver os aplausos e assovios no fim do concerto.
Daniel veio até mim com os olhos brilhantes de satisfação e alívio, e um sorriso que só faltava rasgar a boca de tão grande e pleno.
__ Vocês arrasaram – gritei pulando em seu colo sem aviso prévio, mas não foi pego de surpresa. Ele já estava acostumado com meus calorosos abraços e me girou em seu próprio eixo.
__ Obrigado – respondeu me colocando no chão novamente.
__ Você arrasou muito – Catarina gritou contente o abraçando também – Sério aposto que metade das garotas aqui querem sair com vocês.
Daniel rola os olhos e se senta na cadeira vazia ao meu lado novamente. Conversamos e bebemos por várias horas e o bar parecia  encher cada vez mais. À meia noite a maquina de dança foi aberta e eu fui a primeira a me levantar e ir dançar. A essas horas, após vários copos de bebida eu já estava leve o bastante para me expor, sem qualquer tipo de vergonha ou ressentimento.
A musica eletrizante da maquina começa e os azulejos começam a piscar. Eu tento acompanha-los gargalhando mais que o normal quando perco algum passo. Daniel se junta a mim se divertindo igualmente. Gargalhamos juntos quando a musica acabou e ele me abraçou sorrindo. Dan era o melhor amigo do mundo.
__ Obrigada por não me deixar passar vergonha sozinha – digo enquanto nos abraçamos.
__ Ok guys. Minha vez de brilhar – Catarina chega nos separando com os braços e se preparando para dançar também. Algumas pessoas se aglomeram querendo vê-la dançar e eu saio de fininho. Precisava ir ao banheiro urgentemente.

Eu estava cansada, meus pés doíam e o sono começava a me tomar. Por isso resolvo ir para a mesa ao invés de voltar à pista. No meio do caminho sou pega de surpresa por Alex que bloqueia minha passagem me encarando com uma das sobrancelhas arqueadas e o semblante impenetrável. Tento ignorá-lo passando pelo outro lado, mas mais uma vez a passagem foi bloqueada por seu corpo então o encaro esperando pelo que ele tem a dizer.
__ Você está transando com aquele cara? – diz com naturalidade como se estivesse me perguntando qual minha cor favorita. Eu o encaro de cenho franzido tentando achar algum sentido naquela ação, principalmente naquela pergunta. É claro que não acho, é impossível achar qualquer tipo de sentido no que venha dele. Suspiro irritada:
__ Eu estou bêbada, morrendo de sono e os meus pés estão me matando. Você tem certeza que quer me perguntar isso? – massageio minha têmpora esquerda tentando fazer a súbita dor passar.
__Tenho um remédio infalível. Se chama uma noite com Alex te garanto que a dor nos seus pés e o sono desaparecerão. E o fato de estar bêbada só tornará o efeito mais interessante – um sorriso torto e divertido permeia seus lábios.
Aquilo me pareceu muito engraçado, gargalho tanto que soluços acompanham minha risada.
__ Tá rindo do quê?
__ Já parou pra pensar que não são todas as garotas que estão a fim de transar com você?
__ Você com certeza não está nesse pacote docinho. Esse jogo não funciona comigo, se você ainda não percebeu eu quero você. E quando eu quero uma coisa eu consigo.
__ Ah é? – murmuro me aproximando de seu ouvido – Conseguir ou não depende única e exclusivamente de quanto você irá se empenhar nessa tarefa – sussurro no pé de seu ouvido e logo depois mordo o lóbulo de sua orelha sensualmente. Não sei o que estava acontecendo, mas eu definitivamente não estava no meu estado normal.
Quando volto a encará-lo sorrio dissimuladamente, assim como ele geralmente está acostumado a fazer. Alex me olha em um misto de surpresa e diversão.
__ É, você está mesmo bêbada – murmura para si próprio e logo depois sorri – Vem comigo, vou te levar pra casa.
__ Nem pensar Turner – digo negando veementemente com a cabeça, assim como uma criança quando se nega a comer espinafre, mas logo uma crise de risada me atinge novamente e ele me encara em interrogação - Turner... Timmy Turner de 'Os Padrinhos Mágicos'. Você se parece um pouco com ele... O cabelo talvez.
__ É, bem engraçado mesmo – murmura sarcasticamente - Anda, vem comigo – ele me puxa pelo braço com certa força. Tento de todas as maneiras me soltar, mas ao que parece sou fraca demais.
__ Me solta! E os meus amigos? – pergunto ainda tentando escapar do seu aperto
__ Eles estão se divertindo – murmura olhando para o local onde está a maquina de dança. Daniel e Catarina gargalham, bebem e dançam sem parar.

Entro no carro conformada, porém relutante. Alex não faz questão de manter contato ou algo do tipo, apenas dirige em silêncio e isso contribui para que eu aos poucos me renda ao cansaço, caindo num sono profundo.

[...]

A claridade do sol batia incessantemente em meu rosto, mas eu ainda não estava preparada psicologicamente para acordar. Meu corpo, mesmo inconsciente dava sinais de uma ressaca daquelas e eu pretendia passar por ela dormindo. Tentei por alguns minutos encontrar uma posição que me permitisse voltar ao sono, mas algo parecia errado.
Cansada de tentar lutar contra o inevitável abro os olhos vagarosamente. O teto parece estar em uma tonalidade diferente. Pisco algumas vezes a fim de encontrar o foco certo e me desespero ao constatar que aquele com certeza não é o teto do meu quarto.
__ MAS QUE PORRA É ESSA?! – praticamente caio da cama, tamanho o susto e percebo que Alex me encara sonolento com a sobrancelha arqueada. Noto que ele traja apenas uma cueca Box preta, noto outra coisinha também, estou apenas de roupa íntima.

Um comentário:

  1. Amanda Costa08/12/2014 21:49

    GENTE, MASOQ!!!


    HAHAHHAHAHAHA

    TO ADORANDO ESSA FIC, SOCORR

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